Como Calcular o Preço-Teto pelo Método Bazin
Décio Bazin, jornalista e investidor brasileiro autor de "Faça Fortuna com Ações", popularizou um método simples e direto para decidir o preço máximo a pagar por uma ação boa pagadora de dividendos. O método Bazin não exige planilhas complexas nem projeções sofisticadas — apenas o dividendo pago e um yield mínimo que você considere aceitável. Neste guia você vai aprender a fórmula, ver exemplos com ações da B3 e entender onde o método funciona bem e onde ele falha.
A lógica por trás do método
Bazin partia de uma ideia pragmática: uma ação só vale a compra se o dividendo que ela paga representar um retorno mínimo sobre o preço. Para ele, esse mínimo era 6% ao ano em dividendos — patamar que, em sua época, batia a renda fixa com folga e oferecia margem de segurança. Se a ação pagava menos de 6% de yield ao preço atual, estava cara; se pagava mais, havia espaço para comprar.
Repare que esse raciocínio é o inverso do dividend yield: em vez de calcular o yield a partir do preço, fixamos o yield desejado e calculamos qual preço o entrega.
A fórmula
Preço-teto = dividendo anual por ação ÷ dividend yield mínimo desejado
Com o critério clássico de Bazin (6%): Preço-teto = dividendo anual ÷ 0,06
O "dividendo anual por ação" é a soma dos proventos (dividendos + juros sobre capital próprio) pagos por ação nos últimos 12 meses. Idealmente, Bazin recomendava usar uma média dos últimos anos para evitar distorções de um ano atípico.
Exemplo prático
Imagine uma empresa madura e boa pagadora, como historicamente foram TAEE11 (transmissão de energia) ou ITSA4 (holding). Suponha que a ação pagou R$ 1,20 em proventos por ação no último ano. Aplicando o método Bazin com 6%:
Preço-teto = R$ 1,20 ÷ 0,06 = R$ 20,00
Isso significa: pagar até R$ 20,00 garante um yield de pelo menos 6% sobre o dividendo atual. Se a ação estiver a R$ 18,00, está abaixo do teto (yield de 6,7%) — dentro do critério. Se estiver a R$ 24,00, o yield cai para 5%, abaixo do mínimo, e a compra é descartada por esse critério.
| Yield mínimo desejado | Divisor | Preço-teto (dividendo R$ 1,20) |
|---|---|---|
| 6% (clássico Bazin) | 0,06 | R$ 20,00 |
| 8% | 0,08 | R$ 15,00 |
| 10% | 0,10 | R$ 12,00 |
Quanto maior o yield exigido, menor (mais conservador) o preço-teto. Em cenários de juros altos, faz sentido elevar o yield mínimo, já que a renda fixa concorre com os dividendos.
Ajustando o yield ao cenário de juros
O 6% de Bazin não é dogma. Ele foi calibrado para um contexto específico. Hoje, muitos investidores ajustam o yield mínimo de acordo com a taxa básica de juros e o prêmio de risco que desejam. Uma abordagem comum é exigir um yield alguns pontos acima do que paga um título público de longo prazo — afinal, ações têm mais risco e devem remunerar melhor. As taxas de referência podem ser consultadas no site da B3 e em plataformas como o Status Invest.
Onde o método Bazin funciona — e onde falha
O método brilha em empresas maduras, lucrativas e com histórico estável de dividendos: bancos, utilities, seguradoras, transmissoras de energia. Nesses casos, o dividendo é previsível e o cálculo faz sentido.
Limitações importantes: o método ignora crescimento. Uma empresa que reinveste o lucro e paga poucos dividendos (typical de companhias em expansão) terá preço-teto baixíssimo pelo Bazin, mesmo sendo um ótimo negócio. Além disso, usar o dividendo de um único ano excepcional infla o teto — por isso a média plurianual é essencial. O método também não avalia endividamento nem sustentabilidade do lucro: uma empresa pode pagar dividendos altos hoje e cortar drasticamente amanhã.
Bazin como um filtro, não como verdade absoluta
O preço-teto de Bazin é melhor usado como um entre vários filtros. Combine-o com a análise de outros métodos descrita no guia de preço-teto em ações da B3 (Graham, múltiplos, fluxo de caixa descontado) e com a saúde financeira da empresa. Nenhum método isolado substitui o entendimento do negócio.
Conclusão
O método Bazin entrega, com aritmética simples, um limite de preço coerente com a renda em dividendos que você deseja. Use a média de proventos de vários anos, ajuste o yield mínimo ao cenário de juros e aplique o método apenas a boas pagadoras maduras. Depois de definir seus preços-teto, o passo seguinte é transformá-los em decisões de aporte — tema do guia de rebalanceamento de carteira.
Cadastre o preço-teto Bazin de cada ação e deixe o Norteia avisar quando o preço de mercado ficar abaixo dele.
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